IMPORTÂNCIA DA NUTRIÇÃO MATERNA NA GESTAÇÃO
Dentro do útero o bebê que está em formação necessita de um aporte de macronutrientes ( carboidratos, proteínas e lipídeos) e micronutrientes( vitaminas, minerais e antioxidantes) em quantidade adequada para se desenvolver de forma saudável.
Por isso a alimentação materna é importante durante todo o período gestacional pois tudo o que se ingere o bebê utiliza para o crescimento, desenvolvimento e formação. Os três primeiros meses são cruciais para a saúde do feto pois é nesse período que os ossos, membros e órgãos estão sendo formados.
Todos os nutrientes são importantes para o bebê durante a sua formação mas deve-se ter especial atenção para a oferta de ferro, colina, ácido fólico, cálcio, zinco, outras vitaminas do complexo B e ácido graxo ômega 3.
Durante a formação o feto armazena ferro no fígado em quantidade suficiente para utilizar até o 6º mês de vida pós natal. Após o nascimento a recomendação é de aleitamento exclusivo até o 6º mês, época que começa a ser introduzido outros alimentos pois a quantidade de ferro do leite materno já não supre as suas necessidades e os estoques no fígado estão menores.
A colina é uma vitamina presente em boa quantidade na gema do ovo e tem ação significativa no desenvolvimento cerebral intra uterino e no pós natal otimiza a memória e aumenta a capacidade cognitiva.
O ácido fólico é importante junto com outros nutrientes para a formação da coluna vertebral e na prevenção de anemia tanto da gestante quanto do feto, pois há uma demanda maior por ser um nutriente vital nesse período. Uma das fontes mais importantes são os vegetais verdes escuros.
O quadro de anemia que é muito freqüente ocorrer em gestante deve ser criteriosamente pesquisado pois a mesma não acontece apenas por déficit de ferro e ou de ácido fólico. Há anemias também por déficit de zinco, cobre e vitamina B12. Sabe-se que as anemias graves e que persistem por um longo período, tanto na vida intra uterina quanto na pós natal, influencia significativamente no aspecto cognitivo dificultando o processo de aprendizagem mesmo após o tratamento.
O consumo de alimentos ricos em ácido graxo ômega 3 na gestação melhora a capacidade sensorial e cognitiva do bebê. Um dos componentes do ômega 3, o DHA, é fundamental para o desenvolvimento dos neurônios. Uma boa ingestão de alimentos fontes de ômega 3 como truta, sardinha e salmão contribuem de forma satisfatória para esse aspecto da saúde.
Deve-se ressaltar que uma dieta adequada em calorias e proteinas é fundamental para o crescimento /desenvolvimento do bebê, mas o excesso principalmente de calorias é prejudicial tanto para o bebê quanto para a mãe, devido a possíveis complicações no parto, quanto pelo risco de obesidade futura caso o bebê tenha um peso alto ao nascer. O excesso de peso é um dos fatores que contribui para o diabetes gestacional, embora existam mulheres com evolução de peso satisfatória mas que desenvolvem diabetes nesse período pois tem história familiar de diabetes.
As mulheres com quadro de obesidade ou de baixo peso antes de engravidarem necessitam ser muito bem orientadas quanto a ingestão calórica/ protéica e aumento de peso. A cada trimestre aumentam as necessidades de macro e micronutrientes para toda gestante, objetivando um bom crescimento, desenvolvimento e ganho de peso do bebê. Por isso as recomendações devem ser modificadas frequentemente levando em consideração a evolução da gravidez, sinais e sintomas e resultados de exames laboratoriais, radiológicos e físicos.
Marlene Carvalho


