ANIMAVITA

Dor Miofascial Featured

Post by in Dor Crônica
Dor Miofascial Dor Miofascial AnimaVita Brasília

A presença de Pontos em gatilho ativos em músculos esqueléticos, também conhecidos por “Trigger Points” é responsável por grande parte da demanda de pacientes que buscam ajuda devido a quadros dolorosos agudos ou crônicos. Tal condição configura o quadro clínico de Síndrome Dolorosa Miofascial, tem elevada incidência e é frequentemente mal diagnosticada.

 

Generalidades:

A presença de Pontos em gatilho ativos em músculos esqueléticos, também conhecidos por “Trigger Points” é responsável por grande parte da demanda de pacientes que buscam ajuda devido a quadros dolorosos agudos ou crônicos. Tal condição configura o quadro clínico de Síndrome Dolorosa Miofascial, tem elevada incidência e é frequentemente mal diagnosticada. Mesmo naquelas situações onde existe outro diagnóstico bem estabelecido, é comum a interação entre a disfunção causada pelos Pontos Gatilho e outros problemas de origem neuro-músculo-esquelética ou sistêmica. Algumas condições podem ser mimetizadas ou falseadas por alguns Trigger Points ativos que são capazes de desencadear sintomatologia variada como: cefaléias crônicas, pseudofibromialgia, ciatalgia, lombalgia, dores semelhantes à bursites e cólicas renais. O diagnóstico diferencial e o manejo adequado da Disfunção Miofascial tem impacto extremamente positivo na redução da dor e na saúde geral do paciente.

 

Dor crônica

Os quadros dolorosos crônicos são responsáveis por baixa no rendimento profissional, aposentadorias precoces, incapacidades funcionais e alterações psico-emocionais que frequentemente deixam marcas negativas na saúde física e mental daquele que sofre com tais condições. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, em algumas situações a dor pode tornar-se o problema principal e confundir-se com a própria doença que não existe mais, configurando quadros complexos em que o Sistema Nervoso Central responde criando circuitos de memória dolorosa sustentada. A avaliação e o diagnóstico diferencial de cada caso deve ser individualizada, havendo diversas alternativas disponíveis para o manejo clínico eficiente dos sintomas.

 

A síndrome de dor miofascial é um distúrbio de dor muscular crônica em um ou mais músculos ou grupos de músculos. É acompanhada de dor local ou referida, diminuição da capacidade motora e amplitude de movimentos, fraqueza e frequentemente fenômenos autonômicos. Ela tem se tornado um dos distúrbios músculo-esqueléticos crônicos mais importantes na prática clínica. A dor miofascial pode surgir em qualquer músculo, entretanto o trapézio costuma ser o mais freqüentemente visto em avaliações clínicas.

 


 

Pontos de gatilho:

Pontos de gatilho são comumente descritos na síndrome de dor miofascial e têm sido clinicamente definidos como discretos focos de tensão no músculo esquelético que frequentemente produzem sintomatologia.

As características dos pontos de gatilho incluem: banda tensa no músculo contendo um nódulo; história de dor focal; resposta de reflexo local à pressão, com a contração rápida de um grupo de fibras musculares; ou uma exclamação espontânea de dor (“sinal do pulo”) pelo paciente como resultado da aplicação de uma pressão. Além disso, acredita-se que a palpação de um ponto de gatilho possa produzir um padrão de dor referida que é sentida em outros sítios anatômicos diferentes do ponto de estimulação.

Os pontos de gatilho podem ser classificados em ativos e latentes. Os chamados de ativos são sempre dolorosos à palpação, podem ser dolorosos mesmo na ausência de pressão aplicada e frequentemente desencadeiam um “sinal do pulo” quando estimulados. Já os pontos latentes são dolorosos e desencadeiam um padrão de dor referida apenas quando pressão direta é aplicada.

 

Etiologia:

Vários fatores podem precipitar a síndrome de dor miofascial, entre eles: traumas, infecção ou inflamação devido a uma patologia de base, alterações biomecânicas apendiculares (discrepância de membros, aumento acentuado dos seios) e axiais posturais, distensões crônicas, esfriamento de músculos fatigados, miosite aguda, isquemia visceral.

Outras causas incluem: lesões localizadas de músculos, ligamentos, cápsulas articulares, doenças viscerais, desequilíbrios endócrinos, exposição prolongada ao frio, deficiência de vitaminas C e do complexo B, de estrógeno, K+ e Ca+, anemia, baixa taxa metabólica, hipotireoidismo, creatinúria, estresse emocional, tensão, fadiga, inflamação, deficiência muscular. Esses fatores, quando não corrigidos, podem perpetuar a dor miofascial.

 


 

Fisiopatologia

O mecanismo da síndrome da dor miofascial não é esclarecido. Existem várias teorias: liberação de Ca2+, inflamação neurogênica, abertura das comportas, desfacilitação do fuso, modificação no SNC, reflexos viscerossomáticos e somatoviscerais.

Alguns estudos apontam que a patogênese tanto da dor referida como do reflexo local é relacionada à neurônios sensitivos e motores da medula espinhal, em resposta a nociceptores sensibilizados. Esses estudos não encontraram diferenças nas conexões neurais entre regiões pontos de gatilho e regiões normais. Acredita-se que a explicação para a dor desencadeada nessas regiões seja por mudanças fisiológicas e não anatômicas. Outros estudos relacionam a síndrome com o aumento da liberação de acetilcolina

 

Diagnóstico

Como nenhuma evidência histológica convincente de um ponto de gatilho foi encontrada e nenhum exame laboratorial ou de imagem foi estabelecido para o diagnóstico da síndrome de dor miofascial, entretanto eles podem ser úteis para se afastar diagnósticos diferenciais da dor crônica.

O diagnóstico baseia-se nos achados clínicos característicos, dor focal, reconhecimento de dor e banda tensa no músculo são considerados critérios mínimos necessários para identificar um ponto de gatilho, enquanto reflexo local à pressão e dor referida são os sinais confirmatórios do ponto de gatilho.

A habilidade manual de palpação do examinador associada à resposta do paciente, têm sido os pontos fundamentais para o diagnóstico e tratamento da síndrome de dor miofascial. Estudos demonstraram uma boa confiabilidade inter-examinador, entre profissionais bem treinados.

 


 

Tratamento:

 

O tratamento da síndrome de dor miofascial pode ser dividido em três fases: inativação do ponto gatilho, reabilitação muscular e remoção preventiva de fatores perpetuantes.

 

  • Inativação dos pontos gatilho - O dry neddling é o procedimento padrão para inativação de pontos gatilho através da qual usa- se agulhas para intativação dos pontos em gatilho miofasciais.

 

  • Alternativamente feita através de injeção com anestésicos ou solução fisiológica salina seguida por alongamento e calor. Esta técnica produz alivio rápido. O spray tem-se mostrado efetivo associado com alongamento. A terapia manual também é citada através da pressão nos pontos gatilhos, fricção profunda e alongamento muscular.
  • Restauração da amplitude de movimento e força muscular - alongamento e analgesia - Além das técnicas citadas, podem ser usados: ultrassom, laser, acupuntura, manipulação com agulha, calor seco e úmido e biofeedback.
  • Remoção preventiva de fatores perpetuantes - educação do paciente de modo a prevenir e lidar com as possíveis crises e também bloquear os fatores perpetuantes ou precipitante.

 



 


 

Referências:

  • Aoki KR. Evidence for antinociceptive activity of botulinum toxin type A in pain management. Headache. Jul-Aug 2003;43 Suppl 1:S9-15. [Medline].
  • Lang AM. Botulinum toxin therapy for myofascial pain disorders. Curr Pain Headache Rep. Oct 2002;6(5):355-60. [Medline].
  • Jeynes LC, Gauci CA. Evidence for the use of botulinum toxin in the chronic pain setting--a review of the literature. Pain Pract. Jul-Aug 2008;8(4):269-76. [Medline].
  • Cheshire WP, Abashian SW, Mann JD. Botulinum toxin in the treatment of myofascial pain syndrome. Pain. Oct 1994;59(1):65-9. [Medline].
  • Gam AN, Warming S, Larsen LH, et al. Treatment of myofascial trigger-points with ultrasound combined with massage and exercise--a randomised controlled trial. Pain. Jul 1998;77(1):73-9. [Medline].
  • Lee SH, Chen CC, Lee CS, et al. Effects of needle electrical intramuscular stimulation on shoulder and cervical myofascial pain syndrome and microcirculation. J Chin Med Assoc. Apr 2008;71(4):200-6. [Medline].
  • Srbely JZ, Dickey JP, Lowerison M, et al. Stimulation of myofascial trigger points with ultrasound induces segmental antinociceptive effects: a randomized controlled study. Pain. May 26 2008;[Medline].
  • Flor H, Birbaumer N. Comparison of the efficacy of electromyographic biofeedback, cognitive- behavioral therapy, and conservative medical interventions in the treatment of chronic musculoskeletal pain. J Consult Clin Psychol. Aug 1993;61(4):653-8. [Medline].
  • Birch S, Jamison RN. Controlled trial of Japanese acupuncture for chronic myofascial neck pain: assessment of specific and nonspecific effects of treatment. Clin J Pain. Sep 1998;14(3):248-55. [Medline].
  • Bendtsen L, Jensen R, Olesen J. Qualitatively altered nociception in chronic myofascial pain. Pain. May-Jun 1996;65(2-3):259-64. [Medline].
  • Danto JB. Review of integrated neuromusculoskeletal release and the novel application of a segmental anterior/posterior approach in the thoracic, lumbar, and sacral regions. J Am Osteopath Assoc. Dec 2003;103(12):583-96. [Medline][Full Text].
  • Facco E, Ceccherelli F. Myofascial pain mimicking radicular syndromes. Acta Neurochir Suppl. 2005;92:147-50. [Medline].
  • Hsueh TC, Cheng PT, Kuan TS, et al. The immediate effectiveness of electrical nerve stimulation and electrical muscle stimulation on myofascial trigger points. Am J Phys Med Rehabil. Nov-Dec 1997;76(6):471-6. [Medline].
  • Saggini R, Giamberardino MA, Gatteschi L, et al. Myofascial pain syndrome of the peroneus longus: biomechanical approach. Clin J Pain. Mar 1996;12(1):30-7. [Medline].
  • Simons DG. Review of enigmatic MTrPs as a common cause of enigmatic musculoskeletal pain and dysfunction. J Electromyogr Kinesiol. Feb 2004;14(1):95-107. [Medline]

 

Cummings M, et al. Regional myofascial pain: Diagnosis and management. Best Practice & Research Clinical Rheumatology. 2007;21:367.

 Bennett R. Myofascial pain syndromes and their evaluation. Best Practice & Research Clinical Rheumatology. 2007;21:427.

 Demers Lavelle E, et al. Myofascial trigger points. The Medical Clinics of North America. 2007;91:229.

 Sheon RP. Overview of soft tissue rheumatic disorders. http://www.uptodate.com/home/index.html. Accessed Oct. 14, 2009.

 Ernst E. Acupuncture for rheumatic conditions. http://www.uptodate.com/home/index.html. Accessed Oct. 14, 2009.

 Acupuncture. Natural Medicines Comprehensive Database. http://www.naturaldatabase.com. Accessed Oct. 14, 2009.

 

Centro Clínico AnimaVita

SEP 709/909 Edfício Julio Adnet, Clínica S21

(61) 3248-2800 - 4063-6408

 

AnimaVita Brasilia

Usuário Geral de todos os profissionais da clínica AnimaVita Brasília.

Website: www.animavita.com.br

Clínica da dor

 
 
   
Você está aqui: Clínica da Dor Dor crônica Dor Miofascial