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Distrofia Simpático Reflexa - Texto Completo

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Distrofia Simpático Reflexa - Texto Completo AnimaVita Brasília

A síndrome de dor regional complexa (síndrome dolorosa regional complexa,CRPS) é uma doença grave que engloba alterações neurovasculares, cutâneas e funcionais.

 

Distrofia Simpático Reflexa - Texto Completo

 

Generalidades:

     A síndrome de dor regional complexa (síndrome dolorosa regional complexa,CRPS) é uma doença grave que engloba alterações neurovasculares, cutâneas e funcionais. Este termo tem como sinônimos: distrofia, doença de Sudeck, atrofia de Sudeck, distrofia simpático-reflexa, síndrome ombro-mão e algoneurodistrofia.

     A doença é caracterizada por exposição a um fator externo (por exemplo, cirurgia, trauma ou inflamação) evoluindo para distrofia e atrofia em um dos membros superiores ou inferiores. Sintomas de distúrbios circulatórios com edema, alteração de temperatura local, vermelhidão e dor levando a limitações funcionais. A doença é mais comum em adultos e mais freqüente nos membros superiores do que nos inferiores. Pode ocorrer após fraturas do osso rádio – antebraço – lesões de nervos, após cirurgias de ombro, acidentes vasculares cerebrais e lesões de nervos. Muitas vezes nenhum fator causal pode ser encontrado. As mulheres são mais afetadas.

     O mecanismo através do qual a doença se desenvolve ainda não foi satisfatoriamente esclarecido. Acredita-se que ocorra uma resposta inflamatória com componente neuronal, periférico e central, em combinação com uma reorganização do córtex cerebral.

 

Aspectos Históricos:

    No século 16, Ambroise Paré (1510 – 1590) apresentou a primeira descrição da distrofia como dor em queimação grave após a lesão do nervo periférico. O Dr. Ambroise Paré era médico do Rei Charles IX. Após introduzir uma lanceta para sangramento terapêutico aplicada ao braço do paciente ele desenvolveu algumas alterações características. Após esse tratamento, o rei sofria de dor persistente, contratura muscular e incapacidade de flexionar ou estender o seu braço.

     Hunter descreveu um quadro de dor em queimação após lesão articular em 1766. Em 1864, Silas Weir Mitchell cunhou o termo causalgia, o que significa dor em queimação, para descrever sintomas persistentes após ferimentos de bala com lesões em nervos periféricos durante a Guerra Civil Americana. Em 1900, Sudeck descreveu a desmineralização irregular seguida de lesão traumática, em homenagem a ele um dos sinônimos é atrofia de Sudeck. René Leriche, 1916, foi o primeiro a estabelecer um relação entre sistema nervoso simpático e o quadro de dor em queimação.

     Em 1943, Livingston expandiu a teoria círculo vicioso que Leriche inclui o conceito de irritação crônica das vias nervosas aferentes como mecanismo causal e mantenedor. Em 1946, Evans cunhou o termo Distrofia Simpático Reflexa, acreditando que hiperatividade simpática estava envolvida de alguma forma na gênese e ou manutenção do quadro específico de dor. Em 1995, Paice escreveu que, mesmo depois de 130 anos, ainda não havia acordo geral nem sobre a nomenclatura e também sobre a melhor forma de tratar a doença.

 

 

Fatores Predisponentes e Precipitantes:

Cirurgia em ombros, lesão em nervo, etc

 

Fisiopatologia:

     A fisiopatologia da distrofia é desconhecida.

     Desde há muito especula-se o papel do sistema nervoso simpático entretanto ele não está envolvido em todos os casos e mesmo quando há indícios de participação do sistema nervoso simpático, nem sempre o tratamento com simpaticolíticos leva uma melhora clínica.

 

Características Clínicas:

     A Distrofia Simpático Reflexa possui três estágios clínicos bem definidos, aguda, subaguda e crônica.

 

Fase Aguda:

   A fase aguda é caracterizada por dor geralmente em queimação, edema e eritema do membro acometido. Associa-se instabilidade vasomotora e diminuição da funcionalidade da extremidade. A temperatura é geralmente superior em cerca de um centígrado em relação ao membro contralateral.

   Esta fase dura em média três meses. Caso a atividade da doença na fase aguda não seja interrompida com medidas terapêuticas específicas,  sobrevém a fase subaguda da doença.

 

Fase Subaguda:

     A fase subaguda tem duração aproximada de 09 meses. Nesta fase o edema anteriormente intermitente torna-se fixo. A dor mantém o padrão de gravidade e  a característica de queimação com perda progressiva da funcionalidade.  O eritema e a hiperidrose da fase anterior evolui paulatinamente em palidez, cianose. A pele vai se tornando mais seca e atrófica com diminuição da amplitude dos movimentos e rigidez articular.

 

Fase Crônica:

     Ocorre cerca de um ano após o início dos sintomas e pode ser permanente caso o tratamento adequado não seja instituído. A atrofia aumenta e o edema diminui. A pele tende a ser mais fria, atrófica com rigidez e muitas vezes com bastante dor. A perda de função é a característica desta fase e o processo de reabilitação e tratamento é lento e mais difícil.

 

 

Tratamento:         

     A história natural da distrofia simpático reflexa é variável e pouco previsível. Não existem estudos controlados demonstrando claramente a eficácia de nenhum método terapêutico específico. Nenhum protocolo terapêutico baseado em evidências existe. Os melhores resultados são alcançados em pacientes mais jovens cujo diagnóstico foi realizado com presteza e onde exista um equipe profissional com muita experência no tratamento da distrofia.

     Infelizmente, a maioria dos casos de distrofia são diagnosticados em fases tardias, ou seja, de mais difícil tratamento.

    Idealmente, o tratamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar com experiência em tratamento de quadro de dores complexas especialmente distrofia.

   São usados vários métodos farmacológicos e físicos de acordo com a magnitude da dor, funcionalidade e fase evolutiva da doença.

 

Dentre os principais tratamentos destacam-se:

Anticonvulsivantes específicos

Tricíclicos

Medicações analésicas específicas, inclusive opióides

Reabilitação específica no momento específico,

 

Prognóstico

      O prognóstico depende da gravidade da lesão e do tempo decorrido desde o diagnóstico até o início da terapêutica específica. Muitos tipos de tratamentos convencionais utilizados para dor em fisioterapia podem ser contraindicados no tratamento da distrofia inclusive pode influir negativamente na evolução da doença.

 

 

 

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